segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sobre a estrutura das massas

Um dos aspectos mais importantes na formação de uma boa base na pintura, mas menosprezado, negligenciado, por desconhecimento, pressa ou  mesmo relapso, é o domínio sobre a estrutura da massa. Base crucial por ser o princípio em seu duplo aspecto: como aquilo que dá o fundamento conceitual e como início da ação, os quais, contendo as linhas gerais de raciocínio, sustentarão todas as sobreposições subsequentes.
Entendida como sistema ordenado de relações de valor das grandes massas, com anotações dos grandes planos de luz, é a estrutura das massas que garante unidade às variações tonais menores.
 
 

Retrato de Lúcia, pastel preto, branco e cinzas.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Retrato de Walter

Trabalho quase finalizado. Ao fundo, um estudo em carvão que, em geral, serve de referência de como conduzir as linhas gerais do trabalho.

Obra finalizada. Em termos de composição, a ideia é simples: fundo escuro agrupado com o valor do cabelo e a luz da figura criando uma leitura em diagonal descendente. Para gerar maior movimento de leitura na barba, criei uma grande área de empaste como espécie de underpainting. Já na região do rosto, equivalente ao plano de luz, procurei reduzir as variações tonais e trabalha-las num arranjo tonal estreito, para manter a unidade. Outra dificuldade desse tipo de ordenamento tonal se dá em função da paleta restrita de cor circunscrita à escala tonal sem grandes contrastes.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Estudo de cavalo

O conceito foi explorar o máximo das características do papel marrakech: a cor cinza esverdeada, o tom médio do papel e a textura, dentro do rigor do mínimo necessário. As massas abrangentes geram simultaneamente textura e unidade à sobreposição de tons mais claros e escuros. As hachuras dão a leitura dos planos menores, de modo mais "encaixado" e preciso. A escolha da cor quente no negativo (fundo) serviu para dar o contraponto à cor fria do positivo (figura).
 
"Cavalo", carvão e lápis conté branco sobre papel marrakech texturizado, 2015
 

De tempos em tempos, gosto de fazer desenhos pequenos por achar que possuem um certo charme e uma força visual diferente, além, é claro, de poder treinar a qualidade da síntese sucinta:  resolver com pouco (material) em pouco tempo.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Estudo de incidência e distribuição de luz

Uma das maiores dificuldades de esculpir a forma com a luz, característica típica da abordagem pictórica, é representar a luz difusa e sutil, que acontece quando uma grande área encontra-se na penumbra. O conceito foi simultaneamente representar a luz, o movimento das massas nesse contexto sutil e dar ilusão de profundidade.

 Estruturação mista das massas e do desenho, focando o enquadramento (localização e proporção da figura no papel)

 Primeiras anotações de valor e dimensões do espaço com maior refinamento

 Nesse estágio, resolvi dar uma pausa para fazer uma análise contemplando a leitura.

Trabalho finalizado. Apesar da abordagem no estágio anterior estar mais solta, resolvi, pela sobreposição de shapes menores, atenuar as bordas e melhorar a condução da leitura das massas na penumbra de uma forma mais sutil e silenciosa. Esse é um bom exemplo de como o conceito pode guiar a ação intuitiva na direção, não da mera busca do retrato fidedigno da fisionomia, mas da proposição de uma questão e sua solução.

sábado, 15 de novembro de 2014

Estudo sobre papel vergê

Nesse estudo sobre papel vergê texturizado, a proposta foi utilizar o tom médio como base para a sobreposição de tons claros (com lápis pastel branco) e escuros (com carvão e lápis carvão). O maior desafio foi controlar o peso das massas e das hachuras com o intuito de manter o valor correto para não perder a sensação de luz.



"John Burroghs", lápis carvão preto, branco sobre papel vergê. 

Detalhe mostrando a importância do cruzamento e da mudança de direção das hachuras, tanto para gerar textura como controlar o valor.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Desenho gestual: "exercício de linha exploratória"

Vídeo feito para a "parada técnica", aula específica sobre o sistema gestual. A linha exploratória tem por objetivo criar uma conexão intuitiva com os espaços inomináveis, negando a descrição da forma.

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